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O Sistema de Gestão Ética e Socialmente
Responsável SGE 21
O
que é o sistema de gestão SGE-21?
Um Sistema de Gestão da Responsabilidade Social trata de dotar
as organizações de ferramentas que permitam planear,
monitorizar e avaliar o desenvolvimento das relações
da empresa com todas as partes interessadas (stakeholders), de acordo
com valores partilhados pela organização.
Os valores incorporam uma componente ética e subjectiva, que dificulta
a análise e interpretação do grau de cumprimento.
Os sistemas de gestão tratam de garantir a integração
estratégica dos mesmos nas operações mediante
um enfoque de processos, avaliações e planos de melhoria.
A FORÉTICA (Foro para a Avaliação da Gestão
Ética) desenvolveu uma família de normas, guias e documentos
formais que constituem o Sistema de Gestão Ética e Responsabilidade
Social, SGE. Dentro do sistema está a Norma SGE 21 que constitui
um documento referencial que permite avaliar e verificar o grau de aplicação
dos valores nas distintas áreas de gestão da empresa.
Como surge?
O sistema de gestão SGE 21 teve a sua origem no X Congresso de
Empresas de Qualidade e Ambiente, realizado em Barcelona, em 1999, onde
um grupo de directivos e líderes de opinião se questionavam
sobre a forma de poder pôr em valor uma cultura de empresa baseada
na responsabilidade de todos os seus membros, face ao conjunto da sociedade
e o meio envolvente.
Fruto desta reflexão cria-se um comité aberto dedicado a
desenvolver uma metodologia que permita gerir e verificar a aplicação
de valores comuns à organização, em todas as áreas
de gestão da empresa. Este comité reuniu quase 100 peritos
entre os quais destacados profissionais, directivos, académicos
e Organizações sem fins lucrativos.
Desta forma surge a norma de Empresa SGE 21, que se converteu no primeiro
referencial europeu de Responsabilidade Social
susceptível de ser auditado e certificado.
Descrição Geral
A SGE 21 parte de valores comuns a toda a organização.
Estes valores manifestam-se no processo de reflexão estratégica
e são os que formam a cultura da organização.
O sistema divide a organização em 8 áreas
de gestão:
- Gestão de topo
- Clientes
- Fornecedores
- Recursos humanos
- Meio social e ambiente
- Accionistas
- Concorrência
- Estado
sobre as quais se implementam uma série de protocolos e requisitos
de acordo com uma política de Responsabilidade Social, baseada
nos valores na organização.
• Política de Responsabilidade Social
A direcção deve tornar público o
seu compromisso com os valores comuns da organização. Esta
declaração de princípios deve ser conhecida por toda
a organização.
• Código de Conduta
Os princípios declarados na política de gestão ética
aplicam-se a toda a organização reflectindo-se
num código ético de conduta. Este deve ser comum a toda
a estrutura, embora também possa ser divido por áreas de
gestão. Em áreas de especial risco pode ser conveniente
tratar problemáticas específicas.
• Comité de Responsabilidade Social
Existe um comité de responsabilidade social, responsável
por atender qualquer incidência na aplicação
das políticas de responsabilidade social e outros conflitos de
carácter ético. Este comité é o máximo
responsável pelo diálogo com as partes interessadas.
Flexibilidade do sistema
A norma SGE 21 é um referencial consolidado. O número de
empresas que apostam pela sua metodologia como forma de gestão
da responsabilidade social é cada vez maior. Desde a sua concepção
e desenvolvimento, a SGE 21 foi elaborada como um instrumento flexível
e adaptável às necessidades de cada empresa, que se verifica
nas distintas possibilidades e aplicações que o sistema
de gestão apresenta.
• Tamanho e Sector
A SGE 21 está preparada para ser adaptada a qualquer tipo de empresa,
desde micro e PME’s a grandes multinacionais, sendo demonstrativo
de tal as diferentes dimensões das empresas que adoptaram este
sistema, entre as quais se encontram grandes laboratórios, empresas
com mais de 1000 trabalhadores e outras com menos de 20. Outra mostra
de flexibilidade de adaptação desta norma, são os
sectores de actividade, que vão desde a produção
industrial até à prestação de serviços.
• Escalabilidade
A escalabilidade do sistema permite reduzir a fricção que
se produz sempre que se realizam mudanças nas organizações.
A SGE 21 pode ser implementada em toda a organização de
forma integrada, ou então escalando por níveis de implementação
ou ainda por áreas de gestão previamente definidas (recursos
humanos, atendimento ao cliente, etc.).

Por outro lado, nem todas as áreas ou centros produtivos da organização
se encontram a um mesmo nível de maturidade operativa e organizacional.
Por esta razão, é por vezes recomendável a implementação
do sistema por centros de trabalho.

• Compatibilidade
A norma SGE 21 participa do enfoque dos sistemas de gestão da qualidade,
uma vez que têm demonstrado uma grande eficácia quando se
necessita incorporar elementos difíceis de definir e de medir.
Assim, o sistema é totalmente compatível com as normas ISO
9000:2000 e ISO 14001:2004, permitindo auditorias conjuntas com a consequente
diluição de custos.
• Fluxos de informação
Os sistemas de gestão não são só uma ferramenta
eficaz para fixar directrizes e verificar o seu cumprimento. Também
são uma forma de gerar um grande volume de informação.
Esta informação alimenta o comando integral da empresa,
quando esta assume a RSE como uma verdadeira linha estratégica.
Do mesmo modo, gera os registos e sistematiza a informação
necessária para a publicação de memórias de
sustentabilidade ou triple balance.
Avaliação do sistema
Um dos princípios fundamentais da SGE 21 é o de melhoria
contínua, daí necessitar-se de trabalhar de modo ininterrupto
na revisão e avaliação do sistema.
• Dois enfoques e uma forma de trabalhar
Após a implementação do sistema, este deve ser objecto
de uma análise periódica. Dentro da empresa, designam-se
e formam-se auditores internos que se encarregam de avaliar e verificar
o cumprimento da norma. Estes realizam relatórios e planos
de melhoria que remetem ao comité de responsabilidade
social.
Anualmente necessita-se da revisão do sistema por parte de um
perito externo à empresa. A empresa pode optar
por duas formas distintas de avaliação:
a auditoria ou a avaliação de conformidade.
1. Auditorias
O sistema pode ser avaliado por parte de uma certificadora de qualidade
e ambiente acreditada, e reconhecida pela Forética. Após
a elaboração de um relatório de auditoria, procede-se
à revisão do mesmo por parte de um comité de certificação
designado pela Direcção Técnica da Forética.
Comité de Certificação: O comité
de certificação é um grupo multidisciplinar composto
pelo Presidente da Forética ou pessoa em quem este delegue, um
sócio da Forética especialista na matéria, um representante
da entidade certificadora que tenha actuado (com voz mas sem voto), um
representante de outra certificadora membro do Sistema, um representante
de uma ONG, assim como pelos responsáveis da Forética das
áreas técnica e científica.
Com a conformidade do Comité de Certificação, a
Forética emite o Certificado de Gestão Ética
e Responsabilidade Social. Este selo é revisto anualmente
com auditorias de acompanhamento e a cada três anos com auditorias
completas.

2. Avaliações de conformidade
O sistema pode ser avaliado por terceira parte sem aspirar a certificação.
Esta análise de conformidade, pode ser realizada tanto por uma
certificadora, como por uma consultora reconhecida pela Forética.
O objectivo da análise é emitir um relatório sobre
o grau de operatividade do sistema, que permita à direcção
estabelecer planos de melhoria para o cumprimento de objectivos nas suas
políticas de responsabilidade social.
Ana Canais Medina (com a colaboração de Forética)
Directora Geral
ECA CERT - Certificação, Lda.
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