logo_qualiwork logo_apcer Consultoria e Formação na área da Qualidade, Ambiente, HACCP e Segurança
newsletter 05 | Outubro 2006 Tema em destaque: Responsabilidade Social 

 

O Sistema de Gestão Ética e Socialmente Responsável SGE 21

 

O que é o sistema de gestão SGE-21?

Um Sistema de Gestão da Responsabilidade Social trata de dotar as organizações de ferramentas que permitam planear, monitorizar e avaliar o desenvolvimento das relações da empresa com todas as partes interessadas (stakeholders), de acordo com valores partilhados pela organização.
Os valores incorporam uma componente ética e subjectiva, que dificulta a análise e interpretação do grau de cumprimento. Os sistemas de gestão tratam de garantir a integração estratégica dos mesmos nas operações mediante um enfoque de processos, avaliações e planos de melhoria.
A FORÉTICA (Foro para a Avaliação da Gestão Ética) desenvolveu uma família de normas, guias e documentos formais que constituem o Sistema de Gestão Ética e Responsabilidade Social, SGE. Dentro do sistema está a Norma SGE 21 que constitui um documento referencial que permite avaliar e verificar o grau de aplicação dos valores nas distintas áreas de gestão da empresa.

Como surge?

O sistema de gestão SGE 21 teve a sua origem no X Congresso de Empresas de Qualidade e Ambiente, realizado em Barcelona, em 1999, onde um grupo de directivos e líderes de opinião se questionavam sobre a forma de poder pôr em valor uma cultura de empresa baseada na responsabilidade de todos os seus membros, face ao conjunto da sociedade e o meio envolvente.
Fruto desta reflexão cria-se um comité aberto dedicado a desenvolver uma metodologia que permita gerir e verificar a aplicação de valores comuns à organização, em todas as áreas de gestão da empresa. Este comité reuniu quase 100 peritos entre os quais destacados profissionais, directivos, académicos e Organizações sem fins lucrativos.
Desta forma surge a norma de Empresa SGE 21, que se converteu no primeiro referencial europeu de Responsabilidade Social susceptível de ser auditado e certificado.


Descrição Geral

A SGE 21 parte de valores comuns a toda a organização. Estes valores manifestam-se no processo de reflexão estratégica e são os que formam a cultura da organização.

O sistema divide a organização em 8 áreas de gestão:

- Gestão de topo
- Clientes
- Fornecedores
- Recursos humanos
- Meio social e ambiente
- Accionistas
- Concorrência
- Estado
sobre as quais se implementam uma série de protocolos e requisitos de acordo com uma política de Responsabilidade Social, baseada nos valores na organização.

Política de Responsabilidade Social
A direcção deve tornar público o seu compromisso com os valores comuns da organização. Esta declaração de princípios deve ser conhecida por toda a organização.

Código de Conduta
Os princípios declarados na política de gestão ética aplicam-se a toda a organização reflectindo-se num código ético de conduta. Este deve ser comum a toda a estrutura, embora também possa ser divido por áreas de gestão. Em áreas de especial risco pode ser conveniente tratar problemáticas específicas.

Comité de Responsabilidade Social
Existe um comité de responsabilidade social, responsável por atender qualquer incidência na aplicação das políticas de responsabilidade social e outros conflitos de carácter ético. Este comité é o máximo responsável pelo diálogo com as partes interessadas.


Flexibilidade do sistema

A norma SGE 21 é um referencial consolidado. O número de empresas que apostam pela sua metodologia como forma de gestão da responsabilidade social é cada vez maior. Desde a sua concepção e desenvolvimento, a SGE 21 foi elaborada como um instrumento flexível e adaptável às necessidades de cada empresa, que se verifica nas distintas possibilidades e aplicações que o sistema de gestão apresenta.

Tamanho e Sector
A SGE 21 está preparada para ser adaptada a qualquer tipo de empresa, desde micro e PME’s a grandes multinacionais, sendo demonstrativo de tal as diferentes dimensões das empresas que adoptaram este sistema, entre as quais se encontram grandes laboratórios, empresas com mais de 1000 trabalhadores e outras com menos de 20. Outra mostra de flexibilidade de adaptação desta norma, são os sectores de actividade, que vão desde a produção industrial até à prestação de serviços.

Escalabilidade
A escalabilidade do sistema permite reduzir a fricção que se produz sempre que se realizam mudanças nas organizações. A SGE 21 pode ser implementada em toda a organização de forma integrada, ou então escalando por níveis de implementação ou ainda por áreas de gestão previamente definidas (recursos humanos, atendimento ao cliente, etc.).

Por outro lado, nem todas as áreas ou centros produtivos da organização se encontram a um mesmo nível de maturidade operativa e organizacional. Por esta razão, é por vezes recomendável a implementação do sistema por centros de trabalho.

Compatibilidade
A norma SGE 21 participa do enfoque dos sistemas de gestão da qualidade, uma vez que têm demonstrado uma grande eficácia quando se necessita incorporar elementos difíceis de definir e de medir. Assim, o sistema é totalmente compatível com as normas ISO 9000:2000 e ISO 14001:2004, permitindo auditorias conjuntas com a consequente diluição de custos.

Fluxos de informação
Os sistemas de gestão não são só uma ferramenta eficaz para fixar directrizes e verificar o seu cumprimento. Também são uma forma de gerar um grande volume de informação. Esta informação alimenta o comando integral da empresa, quando esta assume a RSE como uma verdadeira linha estratégica. Do mesmo modo, gera os registos e sistematiza a informação necessária para a publicação de memórias de sustentabilidade ou triple balance.


Avaliação do sistema

Um dos princípios fundamentais da SGE 21 é o de melhoria contínua, daí necessitar-se de trabalhar de modo ininterrupto na revisão e avaliação do sistema.

Dois enfoques e uma forma de trabalhar
Após a implementação do sistema, este deve ser objecto de uma análise periódica. Dentro da empresa, designam-se e formam-se auditores internos que se encarregam de avaliar e verificar o cumprimento da norma. Estes realizam relatórios e planos de melhoria que remetem ao comité de responsabilidade social.

Anualmente necessita-se da revisão do sistema por parte de um perito externo à empresa. A empresa pode optar por duas formas distintas de avaliação: a auditoria ou a avaliação de conformidade.

1. Auditorias
O sistema pode ser avaliado por parte de uma certificadora de qualidade e ambiente acreditada, e reconhecida pela Forética. Após a elaboração de um relatório de auditoria, procede-se à revisão do mesmo por parte de um comité de certificação designado pela Direcção Técnica da Forética.

Comité de Certificação: O comité de certificação é um grupo multidisciplinar composto pelo Presidente da Forética ou pessoa em quem este delegue, um sócio da Forética especialista na matéria, um representante da entidade certificadora que tenha actuado (com voz mas sem voto), um representante de outra certificadora membro do Sistema, um representante de uma ONG, assim como pelos responsáveis da Forética das áreas técnica e científica.

Com a conformidade do Comité de Certificação, a Forética emite o Certificado de Gestão Ética e Responsabilidade Social. Este selo é revisto anualmente com auditorias de acompanhamento e a cada três anos com auditorias completas.


2. Avaliações de conformidade
O sistema pode ser avaliado por terceira parte sem aspirar a certificação. Esta análise de conformidade, pode ser realizada tanto por uma certificadora, como por uma consultora reconhecida pela Forética. O objectivo da análise é emitir um relatório sobre o grau de operatividade do sistema, que permita à direcção estabelecer planos de melhoria para o cumprimento de objectivos nas suas políticas de responsabilidade social.

 

Ana Canais Medina (com a colaboração de Forética)
Directora Geral
ECA CERT - Certificação, Lda.

 

Voltar à página principal da Newsletter 05 Topo

Subscrição por email

Cancelar a subscrição

Arquivo de Newsletters

@ Copyright: QualiWork